Em resumo
  • HIFU ainda não tem precedente nomeado no TJPR — a discussão recai sobre o arcabouço geral do CDC.
  • Microagulhamento com mancha já foi discutido pelo TJPR, que destacou a centralidade da perícia para provar a falha técnica.
  • Radiofrequência corporal tem parâmetro próximo em caso de termoterapia, com queimadura e úlcera indenizadas.
  • Os parâmetros técnicos do aparelho usado seguem sendo a prova mais relevante nesses três procedimentos.

Ultrassom microfocado (HIFU), microagulhamento e radiofrequência corporal têm em comum a dependência de calibragem correta e avaliação prévia da pele. Uma nova rodada de pesquisa no TJPR confirmou que HIFU segue sem precedente nomeado, mas trouxe parâmetros mais próximos para microagulhamento e radiofrequência, que ajudam a situar juridicamente esses casos.

HIFU: ainda sem jurisprudência nomeada

Não foi localizado, mesmo em pesquisa dedicada ao TJPR, precedente que nomeie especificamente o ultrassom microfocado (HIFU). Isso não afasta a possibilidade de indenização em caso de queimadura ou lesão térmica — apenas indica que a discussão, por ora, se apoia no arcabouço geral do CDC sobre falha de serviço (art. 14) e dever de informação (arts. 6º, III, e 9º).

Microagulhamento: a perícia é indispensável

TJPR — Recurso Inominado 0015879-81.2024.8.16.0035 (2ª Turma Recursal, j. 09/12/2025)

Em caso de procedimento estético com surgimento de manchas, o TJPR considerou indispensável a produção de prova pericial para verificar a existência de falha técnica e o nexo causal entre o procedimento realizado e a lesão de pele.

O julgado não nomeia especificamente o microagulhamento, mas trata exatamente do tipo de dano mais comum nesse procedimento — hiperpigmentação e manchas — e fixa o padrão de prova que os tribunais exigem: sem perícia técnica, dificilmente se comprova a falha.

Radiofrequência: o parâmetro da termoterapia

TJPR — Recurso Inominado 0006410-74.2022.8.16.0069 (5ª Turma Recursal, j. 25/09/2023)

O Tribunal reconheceu falha em procedimento de termoterapia que ocasionou queimadura de segundo grau e posterior úlcera, fixando danos morais e estéticos de R$ 5.000,00 cada.

A termoterapia é tecnologia baseada em calor, assim como a radiofrequência — o precedente serve de parâmetro por analogia até que surja jurisprudência nomeando especificamente a radiofrequência corporal.
Nota sobre a pesquisa: não foi localizado, mesmo em pesquisa dedicada ao TJPR, precedente que nomeie especificamente HIFU/ultrassom microfocado. Os casos de microagulhamento e radiofrequência tratam de procedimentos análogos (mancha em procedimento estético genérico; termoterapia), não do nome exato da tecnologia — mas fixam padrões de prova e de responsabilidade diretamente aplicáveis por analogia.

O que reunir para fortalecer o caso

Dr. Vitor Benin (OAB/PR 72.996) atua em ações de indenização por complicações em HIFU, microagulhamento e radiofrequência corporal. Conheça a trajetória completa →

Conclusão

HIFU, microagulhamento e radiofrequência corporal ainda não têm jurisprudência nomeada e consolidada no TJPR, mas os parâmetros já fixados — necessidade de perícia técnica para microagulhamento, e o precedente de termoterapia para radiofrequência — mostram que a via de indenização está aberta, desde que a prova técnica seja bem construída desde o início.