- Necrose é uma complicação previsível em muitos procedimentos, especialmente em áreas de circulação delicada.
- Quando informada no termo de consentimento e sem falha técnica, os tribunais tendem a não reconhecer erro médico.
- Fatores de risco do próprio paciente (tabagismo, comorbidades) pesam a favor do cirurgião quando a técnica foi adequada.
- Documentar cada estágio da necrose, com fotos e registros médicos, é o que permite depois provar (ou afastar) negligência.
A necrose — morte do tecido por falta de irrigação sanguínea adequada — é uma das complicações mais temidas em cirurgia estética, mas também uma das mais frequentemente reconhecidas pela própria literatura médica como risco inerente a determinados procedimentos. Dois casos recentes julgados pelo TJ-PR mostram que, sem prova de falha técnica, a tendência é a improcedência do pedido de indenização.
O que é a necrose e por que costuma ser risco informado
Áreas como a aréola mamária, retalhos cutâneos em abdominoplastias e a ponta do nariz em rinoplastias têm suprimento sanguíneo mais delicado, o que as torna mais vulneráveis à necrose mesmo com técnica adequada. Por isso, é comum — e recomendável — que o termo de consentimento informado mencione especificamente esse risco antes do procedimento.
Caso julgado: necrose de aréola após mamoplastia
"A necrose da aréola é uma complicação previsível em mamoplastias, e o médico informou a paciente sobre os riscos no termo de consentimento. O laudo pericial concluiu que as cicatrizes estavam dentro do esperado e que a técnica utilizada pelo cirurgião foi adequada. Não houve comprovação de negligência, imprudência ou imperícia por parte do médico, afastando sua responsabilidade."
Caso julgado: necrose em abdominoplastia e fator de risco do paciente
"Cirurgia no abdômen que resultou em necrose, autora tabagista, risco aumentado, prova pericial que atesta procedimento adequado do médico [...] Descabimento das indenizações pleiteadas no caso concreto, mantida a sentença de improcedência."
Como preservar provas desde os primeiros sinais
Os dois casos acima foram perdidos pelas pacientes porque a perícia não encontrou falha técnica — não porque a necrose, por si só, não pudesse gerar indenização em outras circunstâncias. Por isso, diante dos primeiros sinais (área escurecida, fria, dolorida ou com perda de sensibilidade), é essencial:
- Fotografar diariamente a evolução da área afetada, com data e hora visíveis.
- Registrar por escrito todas as orientações recebidas da clínica ou do cirurgião a cada contato.
- Buscar avaliação de outro profissional caso sinta que o retorno ao cirurgião original não está sendo suficiente.
- Solicitar cópia integral do prontuário, incluindo a descrição da técnica utilizada durante a cirurgia.
- Guardar o termo de consentimento, para verificar se o risco de necrose na região específica foi mencionado.
Dr. Vitor Benin (OAB/PR 72.996) atua em ações de indenização por necrose e outras complicações graves em cirurgia estética. Conheça a trajetória completa →
Conclusão
A necrose não é, isoladamente, prova de erro médico — os tribunais reconhecem que se trata de complicação previsível em diversos procedimentos, sobretudo quando há fatores de risco do próprio paciente. O que muda o resultado é a prova técnica: falha no manejo cirúrgico, ausência de informação prévia sobre o risco específico, ou negligência no acompanhamento pós-operatório diante dos primeiros sinais. Documentar cada etapa, desde o primeiro sintoma, é o que permite essa análise mais à frente.